Suave som de frauta pastoril deu a Maria o encanto de uma egloga. Voltou a cabeça dourada e viu o rebanho que se aproximava em vagaroso passo.

Trazia-o um menino, guiando-o por entre as hervas de aroma. Um lindo menino, tão alvo que não despedia sombra, como as neves que os raios do sol atravessam; tão louro que a sua cabeça alumiava.

Vinha a frauta soando em suaves accentos e attrahidas, enlevadas na musica, [{26}] abelhas voavam em volta do pastorinho, que assim apascentava dois rebanhos: um pela terra verde, outro pelos ares claros.

Ergueu-se Maria e, sem dizer palavra, olhando os ubres apojados das ovelhas, deu a sentir o seu desejo.

Como devia saber aquelle leite que era a metamorphose das flores dos silvados! Como devia rescender na boca e aquecer e fartar!

Calou-se a frauta e o menino, fitando os olhos meigos no casal errante, como se de muito o conhecesse e amasse, deteve-se, e os animaes pararam.

Ficou o rebanho unido, tão junto que não fazia mais que um vello e as abelhas, zumbindo, puzeram-se a esvoaçar em torno dos lirios alvos.

José adiantou-se e, offerecendo um obulo ao menino, pediu-lhe um pouco de [{27}] leite. Sorrindo, o pastorinho tomou o tarro que trazia ao flanco.

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