Logo, entre as ovelhas, houve um movimento ancioso. Balavam todas offerecendo as tetas refertas, atropelavam-se, saltavam querendo, cada qual, ser a escolhida e o pastorinho brandamente as afastava.

Foi á primeira, ordenhou-a. O leite esguichou em fio; outra chegou, depois outra e a todas elle attendia para que nenhuma ficasse preterida.

Já a espuma fervia crescendo em flor, transbordando do vaso e as ovelhas festejavam-se contentes.

Sorrindo, aceitou Maria a offerta do zagal; bebeu a lentos goles, saboreando. E foi a vez de José.

Refeito, o patriarcha insistiu na dádiva da moeda, mas o menino negou-se a recebel-a: [{29}]

«Que era um pouco de leite? Qualquer pastor faria o mesmo.»

Saudou-os, e, pondo-se á frente das ovelhas, levou a frauta aos labios.

Os sons vibraram. Lento e manso o rebanho proseguiu. Foi então que Maria viu que as abelhas, tantas que occultavam os lirios, deixavam as flores voando á musica da frauta.

—Lindo pastor! Lindo rebanho! disse, enlevada, a Virgem. Mas logo, referindo-se ás abelhas que fugiam, perguntou a José: Que terão ellas buscado nas flores d'agua?

—O arôma e o néctar, explicou o patriarcha.