—Vem! O meu amor esperava-te ancioso. És a eleita de minh'alma. Chegaste no tempo em que as rosas florescem. As vinhas crespas dão fruto, as abelhas fazem o seu mel, o trigo redoura os campos, os lagos são açucenaes extensos.

Eu puz em ordem a natureza para as nossas nupcias sagradas. Vem! [{51}]

A terra em que pisas nunca recolheu cadaveres. Entraste no reino da ventura eterna. Vem! E estendeu os longos [{52}] braços que alumiavam como caudas d'astros.

Houve um clamor ovante feito com o nome suave de Maria e outro que ribombava e os cataphractos, levantando-se, a prumo, nos estribos, cruzaram as lanças formando uma abobada de scintillações.

José olhava, mudo e receioso, acolhendo ao peito a timida donzella. Um gallo cantou em alguma herdade proxima.

Instantaneamente, com uma surda explosão, toda a cidade maravilhosa e os seres que a animavam subverteram-se.

Os ares ficaram nublados de fumo, estryges chirriaram.

De novo reappareceram os campos rasos, ermos, estereis, calados, ao luar livido.

Maria, com o coração sobresaltado, murmurou: [{53}]