Maria, commovida, quiz vêr o infante.
A mãi descobriu-lhe o rosto.
Era lindo!
Os cabellos rolavam-lhe em cachos louros, os olhos jaziam como dois mortos sob as cupulas tumbaes das palpebras, com os longos cilios repontando como a herva que viça no abandono.
A boca, de labios cerrados, livida, era como o leito secco de uma torrente que o sol exhauriu e estalou.
Não se movia e, tão rigido, tão frio estava que só a illusão do amor podia ainda emprestar-lhe vida.
A pequenita continuava a rebuscar anemonas cantando. [{60}]
—Ides debalde a Endor com o vosso filho, disse commiserado o patriarcha, accrescentando: Baruc póde sarar enfermos, mas só Elias resuscitava os mortos.
—Quereis dizer que elle está morto!? exclamou a mulher tremendo. Se, ainda hontem, embalei-o nos braços... Se ainda estou com os peitos cheios de leite, manando copiosamente como as ribeiras das collinas.
Ai! de mim... Bem que eu não queria cantar a cantiga tristonha! Foi o canto triste que o fez fugir dos meus braços. Ai de mim!