—Tendes tempo. Sentai-vos um momento, é a hora da refeição. O que tenho dá para repartir comvosco. A vossa companheira, esposa ou filha, vem fatigada; que descance um instante á sombra, gosando a sesta. Entrareis na cidade com a fresca da tarde.
Aceitaram os peregrinos o convite [{108}] hospitaleiro: sentaram-se e comeram do pão molhado em mel e beberam pelo mesmo tarro o leite cheiroso.
Ficaram os dois velhos conversando e Maria, encostando-se aos feixes de trigo, cobriu o rosto com o manto e adormeceu.
As moças cantavam na eira levantando medas de ouro e, sob o sol escaldante, no alto ceu azul, as cotovias voavam e os seus gritos abrandavam-se na distancia, esmoreciam perdidamente. [{109}]
Na estrada de Bethleem
Frio e pallido, esfumado em brumas, o crepusculo baixava na tristeza da tarde silenciosa.
No remonte dos cerros pedregosos, hirtas palmeiras immoveis pareciam gravadas, em negro, no fundo dourado do occaso. Aves esvoaçavam caladas.
Docemente, com um tremulo murmurio, fluiam pelos canaes de rega as aguas levadias, e as vozes soturnas dos bois soltos, errando, de vagar, no campo restolhado, soavam como gemidos. [{110}]
Os peregrinos seguiam uma vereda suave, entre debruns de anemonas.