Maria appareceu-lhe entre as mansas ovelhas que, reunidas, bafejavam as palhas onde um pequenino infante, as mãosinhas na boca, os olhos [{124}] candidos abertos, parecia contemplar a Virgem que sobre Elle inclinava-se.

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Olhou-a, fitou no tenro corpo os olhos e viu que o cercavam tres figuras de incomparavel belleza.

Uma, as mãos diaphanas cruzadas sobre o peito, os olhos baixos, concentrada, rezava. Outra, d'olhos enlevados, com uma palma verde na mão debil, sorria. A terceira, de joelhos, aquecia com o halito, envolvendo-o nos seus longos cabellos louros, o corpo recem-nado.

Por onde teriam entrado os tres seres? Que anjos seriam? Não os poude reconhecer o patriarcha, mas chegando-se á Virgem tomou-lhe a mão e beijou-a.

Ella mostrou-lhe o Filho com uma ternura tão meiga que o sorriso não poude por si só exprimil-a e lagrimas correram.

Assim deram os olhos, d'uma só vez, todos os seus thesouros: o brilho do olhar e os diamantes da meiguice, essa humildade do amor. [{126}]

Pouco a pouco foi-se a luz extinguindo, a sombra retomou a caverna.

As Virgens desappareceram e Maria, acolhendo o pequenino nos braços, chegou-o ao collo, aqueceu-o, afagou-o.