—Sim, meu senhor, falaram. As ovelhas estavam de pé e olhavam, como se tambem procurassem o mysterioso, interlocutor.

Mas o Menino agitou-se no leito palhiço, estendeu os bracinhos e chorou.

Presto, Maria tomou-o ao collo, aconchegou-o cobrindo-o com o manto. [{133}]

—Deve ser frio, disse José.

—Fome, talvez, disse Maria, anciosa por dar o peito farto ao pequenino Filho. [{134}]

[{135}]


O primeiro leite

Á primeira sucção da boca da criança Maria estremeceu, sentindo uma dôr aguda, como se um punhal lhe houvesse atravessado o seio. Longe, porém, de fugir com o peito dolorido, inclinou o busto, dando-se toda ao sublime martyrio, com a alma a brilhar nos olhos que a dôr orvalhara de lagrimas.

Ávido, o infante sugava, cavando as bochechas e o leite, afluindo, rasgava passagens como a torrente que se despenha [{136}] da altura vincando a terra e arrastando o que se lhe antolha á levada.