É preciso ser mãi, ter gerado para conhecer o verdadeiro amor.
A alma sahe-me do corpo e fica junto do Infante. Se me arredo um momento sinto-me logo attrahida como por uma pesada corrente que se me prende ao coração. E tanto o contemplo, tanto! que fico com elle dentro dos olhos como quem fita um objecto ao sol e depois o vê em toda parte, ainda na treva mais densa.
Dantes, quando as mãis falavam-me de seus filhos, sempre eu as achava exaggeradas nos louvores. Que diriam de mim as que agora me ouvissem!
O meu desejo era não ter na boca outras palavras senão estas: «Meu filho!» São as que o coração inspira-me, são as que me agradam ouvir.
Ellas fazem um gyro alegre como um casal de passarinhos brincando. Sahem-me dos labios, entram-me pelos ouvidos [{163}] cantando, circulam o meu coração e tornam á boca.
Meu filho! E não ha todo um mundo de amor dentro d'ellas? Que mais é preciso para a ventura?
Quando as suas palpebras descerram-se inclino-me e busco vêr nas suas pupillas—que são agora os meus espelhos—o que ellas contêm.
Fico tão perto que ellas só a mim reproduzem.
Do mais tenho ciume, nem quero que seus olhos tenham outros habitantes.
Quando Elle estremece, tremo. Quando Elle sorri é tão grande a minha alegria que fico num atordoamento desvairado, sem saber que faça, e choro e rio.