Ai! de mim quando Elle chora.
Não tendes notado que sou agora como uma faminta perdida que não se sacia de alimento? [{164}]
Não é que tenha fome, não; mas penso n'Elle e, como é preciso que Elle encontre sempre farto o peito em que se nutre, transformo-me em celleiro.
Dormir, nem sei se durmo, porque ao mais leve movimento que Elle faça surprehendo-me a mim mesma achando-me a seu lado, agasalhando-o, afagando-o, procurando readormecel-o ou acalentando-o, se chora.
Eu não era assim amorosa, meu senhor. Agora que o tenho não parece que vivo no mundo, só d'Elle me lembro. Onde Elle está ahi é que me apraz viver.
O seu berço é um oasis em immenso deserto.
Dizeis, ás vezes, que me distraio porque não vos respondo de prompto. Não é distracção, é que a alma está junto d'Elle—o corpo fica vasio como uma casa fechada cujo dono trabalha na seara. [{165}]
Dissestes uma vez: «As mãis adivinham.» Como conheceis o coração materno!
E ha mãis que ficam no mundo quando lhes morre o filho. Como se podem guiar na vida? Como podem caminhar sem arrimo? Como podem vêr sem luz? Como não sossobram no pranto? Eu...
—Porque choras, Maria?