—Porque sou feliz, meu senhor... [{166}]
As duas mãis
Junto a uma velha figueira, que ficava a dois passos da caverna, onde a estrada, bifurcando-se, dava uma sinuosa trilha para os montes e um caminho direito para os campos, sentara-se Maria com Jesus ao collo, gozando o frescor da manhan serena e vendo os pombos revoarem, com rumoroso ruflo d'azas, passando, repassando em torno.
José descera á fonte.
Zagalejos passavam soprando frautas e o sol, accendendo as camarinhas [{168}] do orvalho, fazia da paizagem uma extensa scintillação.
A Virgem entretinha-se, enlevada no pequenito que acompanhava a ronda [{169}] aligera das aves, quando uma pallida mulher, andrajosa e descalça, os cabellos desgrenhados, os olhos fundos, a caveira estalando a pelle secca, appareceu no caminho, tão lenta e com tão alto e angustioso arquejo que foi por elle que Maria sentiu a aproximação da infeliz.
Era ainda moça, conservava na miseria um resto de emmurchecida belleza.