Um d'elles, mais ousado, foi descoberto por um grande negro que trazia ás costas, suspenso d'uma corrente, um dardo de ferro.

Sem tempo de fugir cahiu em poder do vigia que logo o conduziu á tenda mais sumptuosa, toda alfaiada de seda e purpura e nublada de aromatas.

Lampadarios de ouro illuminavam-na. A herva desapparecia sob tapetes [{182}] altos, escudos lampejavam e, como o negro o impellisse, viu-se o pastor na presença de tres homens ricamente paramentados, com fotas na cabeça rutilantes de gemmas.

Eram magos das terras remotas.

Um alvo, a barba negra e farta espalhada no peito scintillante de pedrarias; outro da côr amarellada dos filhos das extremas da Asia; o terceiro negro, com immensas camandulas de ouro em volta do pescoço, braceletes nos punhos, argolas nas orelhas e na fronte alta, preso por um nastro, um diamante que coruscava.

O pastor ajoelhou-se e, medroso, esperava ouvir palavras severas, quando um dos homens tranquillisadoramente perguntou:

—Se sabia em que paço, por ali perto, nascera o rei dos judeus. O rustico, sem entender a pergunta, ficou arvoado, [{183}] imaginando-se victima de uma zombaria. Lembrando-se, porém, dos anjos e de todos os prodigios da noite messianica, respondeu vagamente:

[{184}]

—Perto d'aqui nasceu—e os ceus festejaram o seu natal—um menino, filho de pobres, vindos de terras longinquas. Ainda lá está no mesmo tugurio, ao collo da mãi, que é uma linda moça, sob a guarda de um ancião veneravel. É bem perto d'aqui, na caverna do outeiro sobre o qual paira e brilha a estrella alada que appareceu no ceu.