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Recebeu-os o patriarcha e, como a Virgem se levantasse, com Jesus ao collo, os tres homens prostraram-se de joelhos, descobrindo-se, depondo os turbantes, e, inclinando a cabeça, ficaram um momento em veneração silenciosa.

O primeiro falou offerecendo a myrrha.

—Homem, Filho de Deus, a arvore do deserto deu do seu tronco a resina que te offereço. O seu perfume é uma força que se oppõe á destruição da carne: eternisa o corpo como a Virtude eternisa o espirito.

O segundo inclinou-se com um escrinio cheio de ouro:

—Rei, as minas, onde rebrilham os veios rutilantes, deram a poeira que te offereço: ouro, symbolo do poder, chamma fria da terra. Tudo elle vence: a miseria e a propria Virtude. Desopprime e escravisa, redime e perverte, é o [{188}] bem e é o mal. Nas mãos munificas é luz que aclara e salva; nas mãos crueis é chamma que consome.

O negro falou por ultimo com uma patena de incenso:

—A arvore instilla a lagrima que rescende, lagrima que, ao lume, converte-se em fumo e evola, demandando o ceu, como homenagem da terra.

Como lagrima, é uma concentração; como aroma, é uma oblata. É o incenso com que se glorificam os deuses. É a offerenda das terras negras ao Deus que redime.

Gente, que afluira á caverna, pastores e seareiros, mesteiraes, velhos, mulheres e crianças das arribanas proximas entraram e, diante da palha humilde, toda a grandeza e toda a humildade confraternisaram e tambem o sol, como enviado do ceu, adorando o Infante da Misericordia que baixara para cumprir [{189}] as prophecias trazendo aos homens a religião do Amor.