MARIA—... Encontrou o Cerqueira a passear d'um lado para o outro, no terraço do Hotel, a balbuciar phrases, os olhos fechados, um livro na mão.—Que estás tu a fazer?—Tenho{34} hoje de fazer uma declaração á Clotilde. Estou a estudar aqui no Bourget duas phrases tezas!...

(Joanna e Miguel riem-se, mas deixam cair a conversa).

MARIA—A Clotilde merecia-o. Quando se começaram a usar os flous, para que é preciso postiches, ella tinha escrupulos e explicava:—«Sei lá se o cabello pertenceu a alguma creatura damnada! E hei-de pôr na minha cabeça uma coisa de alguem que hoje está a arder nas profundas dos infernos!» O que acham vocês?

(Joanna e Miguel tornam a rir-se, sem responder).

MARIA—Já comprehendo. Vocês querem ficar sós... (levanta-se).

JOANNA (sem convicção)—Não. Deixa-te estar...

MIGUEL (a mesma coisa)—Pelo amor de Deus!...

(Maria afasta-se, voltando ainda a cabeça para sorrir-lhes).

MIGUEL (a principio, parece hesitar, por fim decide-se)—Afinal, o que quer de mim, ao certo?

JOANNA—Eu?