JOANNA—É o que o Cerqueira chamava uma phrase tesa!
MIGUEL—Porque troça de mim? Porque faz de mim seu joguete? Eu andava feliz e livre, sem mulher alguma que me preocupasse. Nunca andei tão alegre. Vivia a minha vida, livremente. Todas as mulheres bonitas me pareciam eguaes. Joanna começou a chamar-me, a dizer-me phrases que me prendiam, que me entonteciam. Tinha olhares para mim tão cheios de promessas, que corri como um esfomeado, diante d'uma mão que se lhe estende, carregada de vitualhas. E junto de si senti-me perturbado. Foram para mim as palavras mais carinhosas, aquellas que tinham um sentido ambiguo, banal para os estranhos, para mim precioso e comovido. Parecia um flirt terno. Subitamente, tudo mudou. Parece escolher tudo o que possa desagradar para dizer-me. É o flirt agressivo, em que d'uma das partes não ha amor, ou o quer esconder. E a conversa é toda feita de botes de florete, que muitas vezes arranham e podem até matar o amor.
JOANNA—Tout passe, tout casse, tout lasse... Porque não ha de ser assim o Amôr?...
MIGUEL—Mas deixe-o acabar por si, como{37} uma flôr n'um jardim deserto, que se desfolha aos poucos...
JOANNA—Para apodrecer?...
MIGUEL—Ó não, não apodrece. Evapora-se como uma essencia e deixa um perfume suave—uma recordação...
JOANNA—Outra phrase tesa. Está terrivel!
MIGUEL—Faça-me a justiça de pensar que não a li...
JOANNA—Não. Ouviu-a em alguma peça... Você diz-me que não lê nada...
MIGUEL—Leio o Seculo, todas as manhãs.