Por fim debruçou-se para a minha meza:

—O senhor gosta de coisas exoticas, das mulheres finamente perversas, do brilho das podridões...

—Ó, não! Apenas do faisandé!...

—É uma questão de palavras... Tudo o que é ambiguo, perturbante, insexual, tenta-o; compraz-se no esmiuçamento das taras, é o chronista do irregular, do à coté. Prefere as monstruosas orchideas ás rosas, o enigma dos Vincis, á belleza forte dos Rubens. Deixa-me contar-lhe uma historia?

Por certo que a minha phisionomia traiu o receio da maçada eminente. Toda a gente imagina que a sua vida é um «motivo» interessante{51} para um livro. E eu tenho deixado cair, como folhas secas, tantos casos que me contam, compridamente, com meandros de detalhes!

—O senhor tem o dever de me ouvir e não se arrependerá! O senhor é um psicologo...

—Não faço profissão...

—Não importa. Tem obrigação.

—N'esse caso...

Resignei-me.