E seguiu-a com os olhos, commovidamente, até que desappareceu, como um sonho... {63}
[A RAINHA DE SABÁ]
A EUGENIO DE CASTRO
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[A RAINHA DE SABÁ]
Balkis esperava. Entre as sumptuosidades do seu palacio de Mareb, a Rainha vivia, solitaria, escondida, só com a sua belleza.
Em vão os povos e os senhores, ouvindo fallar da immaculada formosura accorriam dos remotos reinos onde a sua lei governava, Sabá, Mareb e Yemen, e, defronte do palacio immenso e fechado, pediam para vêr a deslumbrante adolescente. Em vão os sacerdotes quizeram vêr os olhos puros. Ninguem o conseguiu.
Apenas uma velha ama a vira nua, quando menina. Era como um lirio o seu corpo.
Sete aposentos eram os da Rainha. E cada uma das sete portas uma chave d'oiro fechava. E no ultimo, a rainha vivia. Grandes espelhos de cobre mandavam-se uns aos outros, como écos, a imagem quasi divina. E Balkis, apenas vestida de joias, passava os dias na contemplação{66} dos intactos esplendores da sua adolescencia.
Entravam pela janella que abria sobre o jardim fechado e callado, os pavões brancos e os pavões polichromos. Aquelles formavam, estendendo as caudas, pequenas luas macias; estes faziam fulgir constellações, doçuras de velludos, coruscantes gemmas. E Balkis era mais branca do que os pavões brancos, mais brilhavam as suas cinturas e manilhas pesadas do que as caudas scintillantes.