O PROFESSOR—Absolutamente... absolutamente... não... A formosura de v. ex.ª suppre muito... tudo... Mas é util.
A DISCIPULA—Bem... E depois?
O PROFESSOR—Sabe conversar?{14}
A DISCIPULA—Meu Deus! No convento, no que conversavamos mais era nas Irmãs... para dizer mal d'ellas.
O PROFESSOR—Dizer mal... é bom... mas de quando em quando... Senão cae-se nas soirées do Sporting.—Lê?
A DISCIPULA—O Diario Illustrado, todas as manhãs...
O PROFESSOR—É pouco. Bourget—fala do coração. É um bom tema. Tudo o que se disser é verdadeiro e falso, de fórma que uma opinião é voltada do avesso com a maior facilidade. Falla de mulheres, toilettes e almas, pezares e córtes tailleurs, amores e rendas de corpetes...—uma macedoine que, para a conversação, tem o encanto da variedade.
A DISCIPULA—Tenho o Larousse.
O PROFESSOR—Bah! O Larousse é muito comprido. Não se pode falar em sociedade, como se não deve falar no diabo e em outras coisas do uso diario. Outro: Theuriet—é sentimental, cheio de lamurias; no campo, um chorão, n'uma sala, um piano. É optimo para as noites de luar, na praia, emquanto se faz a digestão.
A DISCIPULA—Uma pastilha de Vichy em trezentas paginas.