O PROFESSOR—V. ex.ª é intelligente?
A DISCIPULA—(Modestamente)—Sou.
O PROFESSOR—Formosa, vejo que é. (A discipula agradece) Gosta de toilettes?
A DISCIPULA—Fagotée durante a minha interminavel mocidade—vinte annos na provincia!—não possuo a complicada arte da fanfreluche.
O PROFESSOR—Mas tem tendencias?
A DISCIPULA—Enormes! Passo horas ao espelho a compor o meu pobre cabello, a pôr uma fita...
O PROFESSOR—Mais tout ça c'est l'affaire de la femme de chambre!
A DISCIPULA—(Indignada) Entregar-me a mãos mercenarias?!{13}
O PROFESSOR—Mas minha senhora! Deve v. ex.ª fazer... permitta-me a expressão—as proprias meias? Passar as noites em compridos serões a alinhavar os corpetes com essas mãos que adivinho lindas sob a pellica da luva? (A discipula agradece.) Com certeza que não. Bem o vejo nos seus olhos que são, deixe-me dizer-lhe, d'um brilho incomparavel. (A discipula torna a agradecer.) Todos esses cuidados pertencem aos fornecedores. É por acaso a propria rosa que póda a roseira? Não! Ha jardineiros de mãos calosas e almas rudimentares que preparam a eclosão das orgulhosas flores que são o pasmo e o encantamento dos jardins. Ha creaturas que se dobram dias inteiros sobre sedas e rendas, pensando em cosinhadas e roes de roupa suja, e constroem fantasticas teias em que nos vamos prender, as deliciosas toilettes dos Redfern e dos Rouff... Porque se não deixa preparar por ellas? Ha cabelleireiras habeis que ageitam deliciosos penteados. Seja paciente, consinta que ellas a penteiem.
A DISCIPULA—É absolutamente preciso? Não poderei prescindir?