—C'est une catin; il faut la tuer; «morte la catin, mort le chagrin.»
—Mais uma filipica! concluiu, rindo-se, o Roquette. Vou-te apresentar hoje uma das minhas amigas, a Princeza das Botas Cambadas. Curar-te-hei pela homœpathia: dentada de cabra, com pello de cabra se cura.
Mas Miguel sentia-se frio e aborrecido, e triste, diante das princesas do Roquette, até que um dia, sem dizer nada, decidiu-se a recolher-se á Quinta Alegre, onde havia cinco annos não se demorava, pois depois da sua viagem, tivera uma vida de estroina, que o fazia fugir de casa após o almoço tardio, para só recolher{152} a altas horas ou noite, até madrugada clara.
Fizera de Violante sua confidente, e a ella contou, polidas as asperezas, o mal d'amor de que soffria, e o desejo de o curar.
—Vou ser teu medico. Deste-te mal com as mulheres... Experimenta as flôres. São mais lindas e fazem sofrer menos. Dirigirás o jardim. Manda fazer as obras que quizeres. Precisamente tens aqui no «Studio» um artigo sobre a architectura dos jardins. Faze modificações á tua vontade. O teu pae concorda; eu ajudo-te, travamos relações, porque, para dizer a verdade, mal nos conhecemos. Desde que foste para Florença que não fallo comtigo, senão á pressa, quando te preparas para sahir. Ainda te vejo menos do que quando eu era uma menina grave e te batia em casa da tia Talleiros, pelas tuas partidas. Olha, ámanhã começa o mez de Maria... Enfeita a capella. Tens ás tuas ordens o jardineiro e o jardim todo. Tens invenção e gosto... olha que eu exijo genio!...
—Oh! Genio... sabes?...
—Bom; contento-me com talento.
—Vá lá, prometto...
Apanhando um grande ramo de lilazes brancos, poz-lh'o na cabeça, como um diadema:
—Está enfeitada a Santa!{153}