[TIBIDABO]
AO SR. BARÃO DE S. PEDRO.
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[TIBIDABO]
Na tarde de agosto quente, fugira de Barcelona para a escalvada montanha que a fanfarronada hespanhola bátisou de Tibidabo, o sitio da Judeia onde Satan prometeu a Christo as grandezas do Mundo e os fulgores do Peccado.
O monte levanta-se, precipitadamente, do fundo da planicie em que Barcelona ondeia. E querem dizer talvez na sua os catalães, que Satanaz ergue as creaturas que quer tentar e, firmando-as nos cimos d'este monte, oferece-lhes a cidade, imagem brilhante dos esplendores mundanos.
Sob o toldo do restaurante deserto me acolhi, a sentir a brisa preguiçosa. Espalmava-se em baixo a cidade. Corriam as suas avenidas arborisadas, as «Ramblas» que se seguem como uma bicha, e a «Gran-Via», a infindavel «Cortes», que corta Barcelona em diagonal. Quedava-se o Parque enorme e, ao fundo, n'um vago de nevoeiro,{156} o mar azul, riscado pela linha cinzenta da doca, onde os navios acolhidos eram imoveis.
Vinha caindo a tarde sobre as raras torres das egrejas. Brilhavam um a um os bicos de gaz e as janellas em que o poente puzera uma luz de oiro.
Longo tempo ali estive. Sonhei? Foi real? Não sei.
Um mancebo pallido e triste abeirou-se de mim: