—Entregar-t'a-hei! Poderás tel-a entre os braços, morder a boca fina, sentir sobre o teu peito o arfar apressado do seu collo amoroso, ver os olhos cerrar-se como n'uma agonia doce... A sua figura fragil aconchegar-se-ha entre os teus braços, aquecerás a sua frieza, será tua, reconhecida, amorosa, fremente de paixão... Queres? Dá-me a tua alma!

Tive um sobresalto, como quem, passeando n'um jardim florido, pisa um sapo:

—Não. Basta-me sentir nas noites claras, quando lhe fallo á varanda, o seu olhar cair gotta a gotta sobre os meus olhos extacticos!{162}

O creado veiu dizer-me que ia fechar-se o restaurante. A treva escorregava pelo monte. Um clarão vinha da cidade estendida a meus pés. E vago, confuso, o ruido da cidade com os seus vicios, seus tumultos, o cio que começava.

Desci. E, a acompanhar-me, senti a Bem-Amada, perto de mim, carinhosa, a olhar-me longamente com os seus largos olhos pretos.{163}

[A PRINCEZA PERDIDA]

AO SR. JOSÉ DE SOUSA MONTEIRO.

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[A PRINCEZA PERDIDA]

N'aquella serena tarde de primavera, a princeza descera com as pequeninas aias e a camareira-mór as escadas de marmore branco e de marmore roseo do sumptuoso palacio real.