—Minha mãe morreu. Meu pae não o vejo... quasi nunca. É um velho triste e duro, que não fala... Tenho medo da camareira-mór. E as aias estão a chorar ás escondidas d'ella como sempre... A vida é triste, triste, no palacio...
—Preferes ficar comnosco?
A boca fina pareceu sorrir-se. A princeza olhava para as mais que se tinham acercado.{181} Eram todas lindas e moças, mas sem frescura, como as rosas que abrem pelas chuvas e ventanias.
—Se me quiserem. Se me quiserem.
—Pois ficarás! Ficarás! Vem comnosco!
Poz-se em marcha o cortejo, novamente. Entraram no templo com a princeza.
E a princeza ali ficou, porque nos rostos se conservava a mocidade e não havia a dôr, nem o constrangimento. Tudo era claro e sereno. E não voltou mais ao palacio, onde as aias choravam e a camareira-mór, seca e hirta, tinha uma voz esganiçada e autoritaria.{182}
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[NOITE DE FESTA]
A ARMANDO NAVARRO.
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