O PROFESSOR—O que ha de mais sincero!... Ha um genero, o meu predilecto... (Ageita-se no banco, torna a retorcer o bigode, olha amorosamente para as unhas rosadas). É o flirt perfumado e finissimo, o fumo das cassoletas com perfumes leves, como se queimassem flores, petalas tremulas d'anemonas...

A DISCIPULA—Como V. Ex.ª é eloquente!

O PROFESSOR (Baboso)—É V. Ex.ª que me inspira!

A DISCIPULA—Os seus olhos sublinham com tal calor as frases!

O PROFESSOR—Um pouco de luz que vem dos seus!... Um reflexo do seu admiravel olhar! É por isso que falo assim. (Approxima-se d'ella). É o flirt em que o coração apenas perfuma... O que tem de bom uma flor? A propria materia? Não, que essa é unica, a mesma na couve lombarda e no lyrio. É o perfume e a côr. Do coração, tambem, só devemos permutar o perfume. Ora imagine: entregar um coração cheio de sangue, a palpitar como um peixe quando acaba de ser pescado!

A DISCIPULA—Até mete medo!

O PROFESSOR—Tem razão. Até mete medo. V. Ex.ª tem sempre razão.

A DISCIPULA—Muito obrigada.

O PROFESSOR—As pessoas formosas—e V.{18} Ex.ª é divinamente formosa—teem sempre razão.

A DISCIPULA—V. Ex.ª é muito lisonjeiro.