A outra missiva tinha-a elle escripto no proprio dia da sua eleição, após o apuramento do escrutinio d'onde o seu nome sahira victorioso.
A carta dizia:
«Mulher adorada, devo-vos uma parte do meu triumpho. Sêde bemdita, pois haveis secundado os meus esforços, tendo a coragem de me sacrificardes os preconceitos da vossa raça, e a vossa posição.
Que hei de eu fazer para chegar até á altura do vosso amôr, que se affirma tão poderosamente»!
E mais adeante lia-se: «Que bello destino{147} antevejo, para ti e para mim, deliciosa amante! Ninguem saberá que nos amâmos, ninguem advinhará o segredo da nossa paixão...
Amar-nos-hêmos, adorar-nos-hêmos por nós mesmos, e não em obdiencia a tôlas convenções sociaes, não por nos conformarmos com pequenas cousas ou interesses pueris!»
A leitura dos versos e da carta de Ronquerolle foi um martyrio para o infeliz marquez de la Tournelle.
Pela primeira vez na sua vida esse aristocrata de nascimento, esse espirito fraco, comprehendêra de quanta magia dispunha sua mulher.
E sentiu um duplo soffrimento reconhecendo, que nunca tivera nem podia ter aos olhos da marqueza esse prestigio secreto, admiravel, que faz as verdadeiras conquistas do amôr.
Muitas vezes Ronquerolle tinha aconselhado á sua amante que queimasse os seus versos e muito principalmente a sua longa carta de amôr.