Com mão tremula, abriu uma das cartas, reconhecendo que ella continha apenas alguns versos, e respirou.

A julgar pelo amarellado da tinta, havia já bastante tempo que esses versos tinham{146} sido escriptos. Olhou para a assignatura: «Maximo Ronquerolle».

—O quê, pensou elle, o nome d'esse homem!

Mas é uma infamia! Oh que fatalidade!

A outra carta não continha assignatura.

Era escripta mais recentemente mas a lettra era a mesma que a da poesia.

Á medida que proseguia na leitura o marquez sentia como que um punhal a atravessar-lhe o coração.

Comprehendeu emfim todo o seu infortunio.

Sua mulher tinha um amante e esse amante era um republicano, e esse republicano era o seu rival politico, o seu implacavel inimigo, aquelle a quem tinham por habito chamar o cidadão Ronquerolle. As duas cartas que haviam saltado do cofre eram as unicas que Ronquerolle tinha enviado á sua amante.

Os versos datavam de longe, eram a sua primeira expressão de amôr.