Veiu até junto do cofre e tentou erguer-lhe a tampa. O cofre estava fechado á chave.

—É singular! disse o marquez. Porquê este mysterio?!

E o seu ávido olhar envolvia o elegante e pequeno cofre.

Poz-se a sacudil-o.

Nenhum som se fez ouvir.

Então a colera atravessou o coração d'aquelle desgraçado homem.

Tomou o cofre entre as duas mãos, acima da altura da cabeça, e lançou-o violentamente contra o marmore branco do fogão.

O cofre abriu-se e duas cartas saltaram d'elle.

O senhor de la Tournelle hesitou ainda um momento, antes de apanhar as cartas.

Parecia-lhe que commettia uma falta, que se deshonrava entrando assim nos segredos de sua mulher, mas a angustia, de que se achava possuido, lançava-o de encontro ás catastrophes.