Parecia que se preparava para emprehender uma grande viagem por mares perigosos d'onde ignorava se voltaria, e que antes da sua partida tratava de assegurar a sorte dos entes que lhe eram caros.

E no emtanto o marquez não tinha no cerebro qualquer projecto definitivo.

Sentia que ia dar-se um acontecimento grave, um drama sem duvida. Mas qual?{150}

Não teria podido dizêl-o.

—Devo provocar, pensava elle, esse sinistro e fatidico Ronquerolle? Devo cruzar o ferro, ou trocar uma bala com elle? Para quê? É uma loucura. Elle está no seu papel. Encontrou no seu caminho uma bella mulher a quem sorriu e que se lhe entregou... Eu é que deveria ter feito com que ella me amasse. Devo matal-a, a ella, á culpada, ou pôl-a fóra de minha casa? E seria eu menos desgraçado, após essas violencias? Não, não. O golpe está dado, a minha vida está envenenada e o meu destino traçado.

Não posso confiar a minha dôr a pessoa alguma sem me tornar ridiculo. Sou eu quem deve morrêr!

Ah! Se eu não a amasse!...

E o desgraçado sentia uma alegria amarga ao pensar na morte.

Era o seu unico refugio.

N'uma quinta-feira, pelas onze horas da noite, a marqueza sahiu segundo o seu costume, indo a uma «soirée» que dava a sua amiga, M.me de Fleurus.