Ao vêr a marqueza e madame de Fleurus, o commissario descobriu-se respeitosamente e ahi mesmo participou a M.me de la Tournelle o que se passára.

Varios tiros de revolver se tinham ouvido no palacete e um creado do marquez tinha ido procural-o a elle commissario. Com o mesmo creado entrára nos aposentos do sr. de Tournelle a quem encontrára morto sobre um tapete, no seu quarto de dormir. Tinha-se suicidado; não restava duvida.

Na manhã seguinte, Ronquerolle, que em vão esperára pela amante até ás 2 horas, ao pegar no «Figaro», deparou com estas linhas:

«Á ultima hora acabâmos de receber uma triste noticia:

«O sr. marquez Sergio de Tournelle acaba{152} de fallecer. Tinha quarenta e cinco annos, era um leal defensor da causa da ordem, e um amigo dedicado dos principes da casa de França.

O sr. de Tournelle tinha sido, ao que parece, fortemente affectado pelo triumpho do partido republicano no seu circulo e pelo cheque soffrido nas ultimas eleições.

A sua morte é atiribuida á ruptura d'uma aneurisma. A marqueza está inconsolavel. Todos os representantes do partido conservador lhe enviam com os seus mais sinceros sentimentos de condolencia, as suas respeitosas homenagens.»

—Diabo! exclamou Ronquerolle, relendo ainda a noticia. Oxalá que esta desgraça não venha a recahir tambem sobre ella!

A morte do marquez de Tournelle fez grande ruido e foi vivamente commentada, menos por elle talvez, que por causa, da marqueza, que era uma das senhoras mais conhecidas de mundo parisiense.

Nenhum jornal falou em suicidio, e o infortunado marquez passou aos olhos do publico por ter succumbido á ruptura d'uma aneurisma, como o «Figaro», habilmente tinha noticiado. A policia conhecendo a verdade não guardou menos o segredo.