Elle não explicava o suicidio do marquez senão pela descoberta da verdade.
M.me de Tournelle era sincera, nas suas affirmações.
Antes de se matar seu marido tinha-lhe escripto uma longa carta que ella encontrára sobre a sua meza de trabalho.
Essa carta não encerrava a menor reprehensão, qualquer allusão que a podesse ferir. Pelo contrario, era ella uma expressão do mais violento amôr.
O desespero que essa carta manifestava parecia ter por causa unica motivos politicos.
Lendo essa carta d'um homem que ao escrevêl-a resolvêra já fazer saltar os miolos, Ronquerolle demonstrára um sentimento de piedade.
—O desgraçado, exclamou elle, não estava á altura da sua missão. Comprehendeu-o, por fim, e a vida tornou-se-lhe um pesado fardo. Que descance em paz.
A marqueza nunca suppoz que seu marido{154} tinha lido as cartas de Ronquerolle, e que se havia suicidado louco de desespero, comprehendendo que nunca seria amado por ella.
Atribuiu realmente aquelle suicidio, como outras pessoas que d'elle tiveram conhecimento, aos grandes aborrecimentos que lhe tinha causado a sua derrota politica.
Carlota de la Tournelle reconheceu um dia que o seu pequeno cofre estava partido, mas acreditou que a sua creada particular o tinha deixado cahir, e como encontrára dentro d'elle a poesia e a carta de Ronquerolle, que tanto amava, nunca lhe veiu á ideia que se passára em sua casa um grande drama, que determinára a morte d'um homem.