[Epilogo]
Um anno é decorrido. As rosas de maio perfumam os jardins. Na sociedade parisiense não se fala d'outra coisa, senão do casamento da marqueza de la Tournelle com o deputado Ronquerolle.
O bairro de Saint-Germain considéra como uma escandalosa união a d'uma mulher da sua sociedade com o joven tribuno republicano, o arrojado orador, o inimigo do throno e do altar.
Se bem que os novos esposos desejassem que o seu casamento fosse o menos conhecido possivel, todos os jornaes n'elle falaram.{155}
A fama, a gloria, ia procurar Ronquerolle, mesmo quando elle desejaria occultar-se na sombra e que em volta do seu nome se fizesse o maior silencio.
Quando o bispo de Dijon teve conhecimento d'essa união nos seus labios brincou um sorriso singular.
Monsenhor acabava de almoçar, e saboreava uma chavena de café tomado a pequenos golos, no seu gabinete de trabalho.
O seu secretario estava perto d'elle acompanhando-o no saborear do fino Moka.
—Recordaes-vos, meu caro Duboeuf, disse o bispo, d'aquelle banquete que ha tres annos nos offereceu esse pobre marquez de la Tournelle? Nós ali estivemos os dois.
—Sim, monsenhor, bem me recordo, respondeu o vigario. A marqueza não assistiu a esse banquete politico.