Ao terminar, Ronquerolle ousou approximar-se, quasi tocando na marqueza. Appoiava-se, como ella, á velha tilia e esperava resposta.

—Escuto-vos, senhor, e sinto-me perturbada. As vossas theorias parecem-se ás flôres do Oriente cujo perfume muito forte enerva os que o respiram.

—Não me amaes? perguntou Ronquerolle com a voz perturbada.

—Elle duvida ainda! respondeu a marqueza, empallidecendo.

Ao escutar estas palavras Ronquerolle tomou-lhe a mão que uma luva finissima calçava e levou-a aos labios. A marquesa retraiu-se e quiz escapar-se.

—Por favor, uma palavra para acabar! disse elle. Onde e quando vos voltarei a ver?

A marqueza hesitou, sentia-se embaraçada para responder. N'este momento os cavallos da sua carruagem relinchavam de impacientes; finalmente fugiu a Ronquerolle, dizendo:

—Aqui, d'hoje a tres dias, ás dez horas da noite.

Ronquerolle viu-a partir e escutando o ruido do seu vestido de seda, o «frou-frou» harmonioso de toda a sua «toilette», custava-lhe a acreditar na sua felicidade.

Quando escutou o ruido da portinhola da carruagem que o trintanario fechava, quando viu a carruagem desapparecer a caminho{53} de Saint-Martin entre uma nuvem de pó, pareceu-lhe que a terra girava por todos os lados e que o ceu ia sair-lhe do peito.