A rapariga guardou a moeda e deu-lhe o troco de dois «sous», que Carlos fez cahir sobre uma meza do fundo onde um freguez se achava escrevendo uma carta.
—Oito e dois dez! resmungou o moço do botequim, tirando um prato e uma chavena que se achavam sobre a meza.
—Está bem, guarda o resto para ti! retorquiu suave e tristemente o freguez, mal erguendo os olhos da carta que estava terminando.
O relogio collocado quasi junto do tecto da casa, embutido mesmo nos ornatos da cimalha marcava dez horas e vinte e cinco{6} minutos e o freguez do café Tabourey olhando-o, melancholicamente, suspirou e pensou:
—Decididamente, não veem esta noite; levanto a sessão!
Ainda se demorou alguns minutos procurando na meza do centro, entre um monte de jornaes, o «Soir» e não o encontrando, dirigiu-se á menina Amelia Dufer, entregando-lhe a carta que acabava de escrever.
—Se esses senhores vierem, a menina faz-me o favor de entregar esta carta a Maupertuis, sim?
—Com todo o gosto, sr. Ronquerolle, respondeu, amavelmente, a joven Amelia, esboçando um gracioso sorriso, completamente perdido, porque o seu interlocutor havia já desapparecido na rua Vaugirard.
N'aquella noite, Ronquerolle, que se sentira invadido por um aborrecimento maior que de costume, tomara uma importante resolução. Decidira voltar á sua terra natal, ha tanto tempo esquecida, e a carta que elle entregara á menina Amelia Dufer, ao sahir do café Tabourey, dizia o seguinte:
«Meus amigos: