Porque não vieram esta noite? Esperei-os durante muito tempo. Tenho necessidade de os ver. Vou partir para a Borgonha.

«Estou cheio de tristeza.

«Vosso amigo,

«Maximo Ronquerolle».

Ás onze horas, os amigos de Ronquerolle{7} aos quaes aquella carta era dirigida e que, após o jantar tinham resolvido dar um passeio pelos «boulevards» voltavam ao Bairro Latino, entrando no seu café predilecto, pensando, e com razão, que Ronquerolle, se já ali não estivesse, lhes teria deixado o que elles vulgarmente chamavam as suas «instrucções».

Entretanto, o que mais desejavam era vel-o porque tinham a dar-lhe uma importante noticia.

Estes rapazes chamavam-se Jayme Maupertuis, Feliciano Didier e Emilio Branche. Eram, como Maximo Ronquerolle, poetas, jornalistas e politicos. Pobres, quasi desconhecidos, procuravam ser alguma coisa e para esse fim corriam em busca da fortuna e da gloria. Todos os quatro eram republicanos.

Tinham feito excellentes estudos na provincia, e aos vinte e vinte e cinco annos haviam partido para Paris, com grandes receios das suas familias, que os consideravam perdidos, no movimento e confusão da grande capital.

Socegados na apparencia, eram quatro enthusiastas. A imaginação junta a uma clara intelligencia, eram as qualidades predominantes de todos elles.

A sua conducta era irreprehensivel. A amizade que os unia era profunda. Estimavam-se, adoravam-se mutuamente.