Ronquerolle e Maupertuis tinham-se conhecido na provincia, na sua terra natal, na Borgonha. Travando relações, de creanças, aos quinze annos, durante os dez que se seguiram tinham-se perdido de vista até{8} que se haviam reencontrado em Paris, graças á «Revue des Poétes», que publicava versos de ambos.
Didier e Branche eram do norte. Viviam como dois irmãos. Uma bella manhã, juntos haviam deixado Lille, e juraram á sua entrada em Paris, de sempre ahi continuarem a viver juntos e de juntos tambem seguirem a carreira, que a sorte a qualquer d'elles deparasse.
Hospedados no hotel «Lisbonne» da rua Vaugirard, em pleno Bairro Latino, ali encontraram á mesma meza, Ronquerolle e Maupertuis. Uma grande sympathia se estabeleceu rapidamente entre esses quatro rapazes, que em poucos minutos comprehenderam que os movia o mesmo pensamento, a ambição e o desejo vehemente d'uma absoluta independencia.
Na occasião em que o leitor trava conhecimento com os quatro mancebos, conheciam-se elles ha dois annos. Os primeiros tempos da sua franca e leal camaradagem, tinham sido encantadores. Haviam comunicado os seus pensamentos, os seus projectos de futuro, enthusiasmando-se mutuamente, lendo os seus versos e conversando sobre os seus amôres, pois que cada um d'elles tinha a sua amante.
Chegados ao café os tres amigos de Ronquerolle, receberam a carta que este ali lhes deixara encarregando-se da sua leitura Maupertuis, que do seu contheudo deu conhecimento aos seus companheiros Didier e Branche.
—Vamos depressa! disse Branche, que tinha por Maximo uma verdadeira adoração.{9}
Um quarto de hora depois, os quatro amigos achavam-se reunidos em casa de Maximo Ronquerolle, que habitava no «boulevard» Montparnasse.
—Já sabes da novidade? perguntou Maupertuis.
—Qual novidade?! disse Ronquerolle surprehendido.
—Sahiu o decreto.