Ronquerolle escutava attentamente o barão «des Quérelles». No fundo desconfiava d'este homemzinho que tão calorosamente defendia a causa republicana.
—Que interesse poderá ter este barão, pensava, na actividade que desenvolve contra o representante da sua casta, contra o meu adversario? Evidentemente não trabalha por convicção. Ha pois, na sua conducta um mobil occulto. Qual será?
E Ronquerolle, com o seu olhar penetrante, mirou o barão dos pés até á cabeça.
Pelo seu lado o barão tratava de sondar o espirito de Ronquerolle; abordou successivamente todos os assumptos para ver até que ponto podia confiar n'elle.
Ronquerolle exprimia-se com a maxima clareza sobre todas as questões politicas, mas fóra d'isso conservava-se impenetravel. Bruscamente, «des Quérelles» interrogou d'esta maneira o joven candidato:
—Conheceis a marqueza «de la Tournelle?»
Ronquerolle empallideceu ao ouvir esta pergunta directa, e hesitou um instante antes de responder. Mas adquirindo de novo o seu sangue frio, respondeu com uma soberana indifferença.
—A marqueza «de la Tournelle!». Mas senhor barão, conheço-a como toda a gente,{64} e menos que V. Ex.ª certamente. Tenho eu tempo para me occupar de mulheres? Tenho muito que fazer, tratando dos meus eleitores e procurando bater o meu adversario.
O barão queria conhecer melhor Ronquerolle, para lhe contar toda a historia da sua paixão por M.elle de Champeautey. Não receava tomal-o para seu confidente e dizer-lhe o quanto desejava humilhar o altivo castello «de la Tournelle».
A pergunta do barão tinha feito tremêr um pouco intimamente Ronquerolle. Terá este tagarella alguma suspeita? Terá advinhado a minha paixão, a minha loucura pela loura e adoravel Carlota?