O mesmo acontecia a Ronquerolle.

Esquecera as suas coleras e odios, abandonara as suas indignações, nada tinha,{74} n'este momento, do vingador dos soffrimentos populares. Todo entregue ao encanto d'aquella paixão, o seu coração trasbordava d'amôr, a sua juventude brilhava, não vendo em «M.me de la Tournelle» mais do que a formosa personalidade da belleza e da vida.

Nunca dois seres mais sinceros, mais dignos um do outro, mais desinteressados, mais enthusiastas, mais feitos para se comprehenderem e se adorarem se tinham unido debaixo do céu e jurado um amôr eterno!

—Amo-te até á loucura! dizia Ronquerolle á marqueza.

—E eu, respondia ella, amo-te até morrer!


Como tinham decidido os directores do «comité», um grande banquete se devia realizar no castello de Tournelle. Toda a nobreza da região tinha sido convidada para este banquete eleitoral que devia destruir a fortuna politica do sr. Ronquerolle, como diria o conde d'Orgefin. Foi convidado o senhor bispo de Dijon, bem como o vigario e quasi todos os curas de Saint-Martin. Não se tinham esquecido dos grandes industriaes da circunscripção, que dirigiam numerosos operarios e que convinha prender por qualquer delicadeza.

Quando chegou o dia fixado para o banquete, numerosas carruagens se viam chegar de todos os lados ao castello «de la Tournelle», conduzindo toda a nobreza.

Mancebos em «breaks» de caça, sorriam ás condessas, viscondessas, baronezas e ás{75} velhas donas de castellos que vinham cooperar na manifestação contra a Republica.

Outros convidados, que na vespera tinham chegado a Saint-Martin, transpunham a pé o portão do castello, e, ás onze horas e meia, o grande salão estava completamente cheio. Não se esperava mais que o sr. bispo de Dijon que tinha promettido vir e que, como se sabia, se encontrava justamente nas visinhanças do castello n'uma viagem pastoral.