Estas palavras envaideceram o amôr proprio do barão «des Quérelles». Sabia bem que a delegação que se encontrava na sua frente representava bem umas vinte communas importantes.

—Ah! scelerado marquez, pensava elle, depende de mim a tua sorte e vós, senhor repuplicano, tendes a vossa eleição na minha mão.{84}

Após este discurso mental, o barão voltou a ter o bom humor antigo.

—Meus senhores, disse, dirigindo-se aos eleitores, estou immensamente envaidecido com a vossa resolução. Dar-vos-hei, sinceramente o meu conselho. Mas a questão merece um exame muito cuidadoso. Convido-vos para almoçardes commigo e antes que nos separemos, tomarei as minhas resoluções energicas.

Na realidade, o barão não sabia que responder aos eleitores que o vinham consultar. Como todos que se veem embaraçados pediu tempo para reflectir. Se por um lado, odiava de morte o marquez por que fôra o rival que «m.elle de Champeautey» lhe preferira, por outro lado custava-lhe favorecer a eleição de Ronquerolle.

Não comprehendia bem porque este homem lhe inspirava tal anthipatia mas o certo era que o aborrecia.

Adivinhava que este senhor Ronquerolle havia de ser mais tarde um obstaculo aos seus desejos, porque o arrebatado barão não renunciara á esperança de possuir mais tarde ou mais cedo o coração da bella Carlota.

Durante os preparativos do almoço, os homens da delegação foram passear para o parque do barão, que por sua vez se retirou para o seu gabinete de trabalho, preso d'uma perplexidade inquietadora.

—Meu Deus! que hei de aconselhar a estes homens? Se lhes digo que votem por esse tolo do marquez «de la Tournelle» saberá a marqueza reconhecer que é a mim que deve o não ver o seu orgulho e o seu{85} nome humilhados? Se os aconselho a deitarem a sua lista pelo Ronquerolle quem me assegura que a sua eleição não vem pôr uma barreira invencivel entre mim e a minha paixão?

Torturado pela duvida o infeliz barão não sabia para que lado se havia de voltar, quando o creado lhe entregou o ultimo numero do «Echo da Borgonha», o jornal monarchico que pertencia ao marquez. Abriu, e de vermelho que estava, tornou-se pallido como cêra. Na primeira pagina do jornal destacava-se em normando um suelto ironico que lhe dizia respeito. O auctor do pequenino artigo troçava do barão pela sua pequena estatura e fazia insinuar que a pequenez da sua intelligencia estava na proporção da do seu corpo.