O banquette do castello de «la Tournelle»{82} produzira um grande alarido. Relatorios, habilmente redigidos pelo conde d'Orgefin appareceram em differentes jornaes e foram enviados a todos os eleitores.

A presença do bispo era commentada de muitas maneiras e fizera-se correr o boato de que Ronquerolle se encontrava extremamente desanimado a ponto de se dizer que renunciaria á sua candidatura.

Ronquerolle, porém, não perdia o seu sangue frio. Sem descançar percorria a circumscripção, reunindo os eleitores nas salas da estalagem onde repousava. O seu «comité» trabalhava na expedição das profissões de fé, boletins para votos e nos cartazes. Branche, Didier e Maupertuis redigiam os numeros do «Reveil» que saía agora tres vezes por semana.

Um facto que preocupava extraordinariamente o publico era o silencio subito do barão «de Quérelles». No principio da campanha eleitoral, viram-no lançar-se abertamente na lucta e tomar o partido, senão, por Ronquerolle, ao menos contra o marquez «de la Tournelle»; passados, porém, quinze dias o barão emudeceu e tornou-se quasi invisivel. Áquelles que se lhe approximavam e que o interrogavam respondia que era necessario esperar para a ultima hora para poder inclinar-se definitivamente para um dos partidos.

Uma colera estranha se apoderara do barão. Sentia-se indisposto com todo o mundo; contra o marquez, contra a marqueza, contra Ronquerolle e até contra si proprio. As suas manobras não tinham dado resultado algum e conhecia que afinal era{83} mais do que o tolo da farça. O seu zelo na lucta afrouxava por isso, não saindo, quasi, do seu castello.

Alguns dias antes do dia 15 de julho, data fixada para as eleições, o barão levantou-se uma manhã com mais mau humor do que o do costume. Maltratava os criados, dava ordens que annulava d'ahi a momentos, passeando com impaciencia e anciedade n'uma galeria, contigua aos seus aposentos, e que dava sobre o jardim.

Quando um dia estava assim preso da irresolução e do desgosto de vêr que a bella Carlota se lhe escapava uma vez ainda, vieram annunciar-lhe que uma deputação d'eleitores o procurava para lhe fallar.

Feliz por ter essa nova distração no meio dos seus desgostos internos, desceu para fallar aos que o procuravam. Na sala encontravam-se assentados uns quinze homens.

Viam-se muitos «maires» influentes dos arredores da cidade e lavradores de blusa que esperavam de chapeu na mão.

—Vejamos, senhor barão, disse o mais velho dos eleitores presentes, por quem devemos votar nas proximas eleições? Vimos pedir-vos este conselho. Faremos o que o senhor barão nos ordenar.