—Oh! meu Deus! dizia Ronquerolle, pensando na sua amante, quando poderei voltar a vel-a? Oh! minha linda amiga, quando nos encontraremos alfim reunidos, sós, no silencio da natureza e fóra do ruido das cidades?

E recordava os seus grandes olhos, o seu sorriso, a graça das suas longas tranças, a sua mão tão fina, os seus seios incomparaveis, o perfume da sua «toilette».

Separando-se, após a sua entrevista nos «Passeios», Ronquerolle e a marqueza prometteram voltar a encontrar-se em Paris, depois da eleição de 15 de julho.

—Voltarmos a encontrar-nos aqui, no campo, é impossivel, disse a marqueza. Perder-nos-iamos os dois inutilmente. Eu seria envilecida, expulsa, vilipendiada como uma mulher publica. Tu, meu querido, tornar-te-ias suspeito a todos os que defendes{81} e pezar-te-ia sempre o teres-me comprometido. Sejamos prudentes. Partirei para Paris alguns dias antes de ti. Virás então juntar-te a mim e lá construiremos um ninho para o nosso amôr.

Ronquerolle recordava este plano delineado pela sua amante e consultava as datas.

—Ainda oito dias! dizia elle. Encontral-a-hei em Paris, n'esse immenso Paris, quando partir.

Já elle calculava que partiria no dia seguinte ao da eleição quer vencesse ou não o marquez.

O amôr e a ambição confundiam-se no seu espirito e no seu coração. No coração da marqueza só o amôr vivia. Ella amava-o e n'estas palavras se reunia tudo para si. Ronquerolle pagava em amôr, amando-a tambem, mas, dotado de faculdades poderosas, tinha antes d'isso, um fim a cumprir, e com esse fim esperava elle construir o pedestal do seu amôr.

[VI
Momentos decisivos]

O partido conservador, um momento enfraquecido, voltara de novo a cobrar confiança e serenidade.