Por seu lado os partidarios de Ronquerole não ficaram inertes.
Durante toda a noite de sabbado para domingo desenvolveram uma energia sem igual a fim de levarem os operarios a votarem no candidato republicano. Luctavam com a intrepidez da ultima hora, com a coragem suprema que tem o soldado quando está prestes a derrotar o inimigo.
Quando, no domingo de manhã, o escrutinio se abriu, os dois partidos estavam perfeitamente calmos. O momento decisivo approximava-se. Viam-se grupos formados na praça publica e que depois se dirigiam{89} a votar á mairie. Misturavam-se os amigos e inimigos politicos; uns chasqueavam o marquez de «la Tournelle», outros riam-se de Ronquerolle.
Este ultimo abatido pela fadiga e atormentado pelo desassoçego não abandonou o leito n'este domingo fatal que ia dicidir a sua sorte. Victima da ambição, debalde tentava adormecer. Elle proprio tinha censurado o seu procedimento e só o seu amigo fiel, Branche, estava junto d'elle absorvido pela mesma incerteza pelas luctas do futuro.
O escrutinio fechou-se ás seis horas, começando immediatamente o apuramento de votos. A sala da «mairie» estava completamente cheia. Os eleitores presentes escutavam silenciosamente a contagem dos votos.
Alternadamente escutavam-se os nomes dos dois candidatos.
—Sr. de la Tournelle!
—Sr. Ronquerolle!
Cêrca das nove horas os murmurios d'alegria ouviam-se já entre os operarios. Vencia o cidadão Ronquerolle, segundo todas as probabilidades. Tinha a maioria de 1500 votos só na cidade de Saint-Martin. O ruido d'esta vitoria estalou como uma bomba de dynamite.
Uma multidão compacta que esperava as noticias em frente á casa da camara, gritou instinctivamente: Viva a Republica!