O homem que passara perto d'elles era o barão de Quérelles, que, por seu turno, acabara de chegar a Paris, com a firme rezolução de vigiar a marqueza.

Como seguia preoccupado e muito rapidamente, o barão nem mesmo reconheceu Ronquerolle, mas fôra reconhecido por este e por madame de la Tournelle.

—Diabo, exclamou Maximo, vamos ter este pequeno barão a seguir-nos os passos. É preciso acautelarmo-nos até que d'elle estejamos livres.

Por esta epocha, Ronquerolle recebeu uma carta que profundamente o impressionou.

Era a pobre, a pequena Emilia, sua amante d'outros tempos, que lhe escrevia.

Ronquerolle ainda não a tinha ido ver, e a infeliz rapariga sabendo do seu regresso a Paris, lamentava-se do abandono a que elle a votara.

«Eu bem sabia, lhe dizia ella, que a tua partida para a Borgonha era o fim dos nossos amôres! Eu bem sabia que uma nova vida ia começar para ti, meu adorado Maximo, e que eu, pobre flôr desfeita, seria sacrificada á tua ambição, que uma nova paixão exige.

«Bem sabia ao vêr-te partir que tudo era perdido para mim, o meu unico amigo, o meu bem amado, o meu querido amante! Escuta, prefiro antes morrêr a descêr pela escada fatal das raparigas bem educadas{98} mas pobres. Tornar-me-hia a amante d'um outro, que me abandonaria tambem, depois d'um terceiro, e depois, de todo o mundo! Não! Não! Repito-te, antes a morte!

«Não me digas que ainda me amas; se assim fosse não terias vindo abraçar-me logo após a sahida do comboio que te conduziu a Paris? E tu estás aqui ha quinze dias, e em vão te hei esperado todas as manhãs e todas as tardes.

«Oh! Maximo! Meu querido Maximo! Não poderei eu ainda apertar-te nos meus braços, antes de ser envolvida na mortalha dos pobres, antes de fechar os meus olhos á doce claridade do sol, antes de ser conduzida ao cemiterio e coberta com algumas pás de terra?