Ronquerolle, tomado d'uma inquietação mortal, ao terminar a leitura da carta da sua pobre Emilia, sahiu immediatamente, tomou um trem e dirigiu-se a casa da pobre rapariga.
Emilia reconheceu-lhe os passos, e quando elle lhe bateu á porta, abriu-lh'a com o coração despedaçado, mas ainda com uma migalha de esperança.
Foi tal a violencia da commoção recebida,{100} que a pobrezinha, cahindo nos braços do seu adorado Maximo, durante bastantes minutos não poude articular palavra.
O triumphador não podia crêr no que os seus olhos viam. A sua pequenina Emilia não era mais que uma sombra do que fôra.
Pallida, magra, os olhos amortecidos pela angustia, pelas lagrimas, e pelas noites de insomnias, davam áquella creaturinha o aspecto d'um phantasma.
—Meu Deus! pensava Ronquerolle, oxalá que eu não chegasse demasiado tarde! A pobre creança está ferida de morte pelo desgosto que lhe causei, e a sua extrema sensibilidade attrahe-a para o tumulo.
Passados os primeiros momentos Emilia retomou o seu doce sorriso e n'uma alegria verdadeiramente infantil exclamou:
—Eis-te emfim, meu querido Maximo! exclamou ella.
Oh! Como eu sou feliz em tornar a ver-te!
Como eu te esperava!