Abençoados tempos, dias felizes da minha adolescencia, da minha juventude, porque tão depressa me fugiste?

Porquê meu bem amado é tão rapida tão fugitiva a felicidade?

E porque será que ha na vida fatalidades que nos quebram o coração?

Conheci-te nas mais bellas horas da tua mocidade, meigo e ao mesmo tempo terrivel amante pelo qual eu fui vencida e pelo qual eu vou bem cêdo morrer!{104}

Entretanto a ambição vae devorar-te, mas as mulheres que te amarem não descobrirão nos teus labios esse encantador sorriso que tu tinhas para mim, essa bella alegria e esse enthusiasmo dos vinte annos, que eu pude apreciar. É essa a minha suprema consolação.—A tua pequenina amiga d'outros tempos—Emilia».

Estas cartas preoccupavam sobremaneira Ronquerolle. Augmentava o seu remorso, e a imagem da terna Emilia, doente, morrendo do peito e morrendo de desgosto não o deixava um instante.

Era um espectaculo commovedor o apresentado por aquella joven que não tinha a força para supportar as brutalidades da existencia e que o primeiro abalo derrubava.

Ha no meio da corrupção das cidades, d'essas creaturas excepcionaes que possuem todas as virtudes, todas as bellezas moraes e todos os heroismos. Nada as mancha; ellas veem o mal que para ellas avança, mas os seus olhos se fecham sobre a visão pura que vive na sua alma e a perversidade jámais as alcançará.

A sua innocencia conserva-se inalteravel. Vivem e morrem presas ao seu ideal como a hera em volta da arvore.

É esse todo o seu destino.