—Seria indigno de mim, o occultar-lhe o menor segredo da minha vida, disse-lhe elle.
O soffrimento d'essa pobre creança, cahe sobre mim como um remorso. É o primeiro da minha vida!
Dois dias depois o deputado republicano recebia nova carta da pobre abandonada.{103}
«Eu bem te dizia Maximo, escrevia Emilia, que estava proximo o meu fim: estou cada vez peor, meu amigo, vêm depressa. Eu não nasci para viver n'este mundo demasiado brutal. O meu pobre coração quebrou-se ao embate da primeira amargura.
Tombou como uma flôr que a tempestade lança por terra, e cousa alguma n'este mundo pode já reanimal-o, dar-lhe a alegria, sem a qual elle não pode viver.
A flôr arrancada da haste nunca mais pode readquirir a sua frescura e o seu perfume.
Vive um dia e morrre. Nada resta d'ella.
Outras flôres vêem substituil-a, outros felizes dias vão nascer, e a outra a pobre florinha morreu e não ressuscitará.
E que bellos momentos nós tivemos na vida meu querido Maximo!
Recordas-te de quando tu me esperavas ao terminar as tuas lições da Sorbonne e do Collegio de França, quando iamos passear de braço dado, sob as sombras de Luxemburgo, quando trocavamos ainda timidas palavras de amôr, quando tu apenas ousavas apertar-me a mão?