Ao clarão d'esse olhar apaixonado, á visão rapida d'essa bella figura, d'esses cabellos dourados e abundantes, d'esse collo admiravel apertado n'um delicioso corpete, á vista d'essa mão fina e bem desenhada agitando o leque finissimo, o joven deputado sentiu como que uma vertigem, uma forte commoção electrica, e encontrou para as suas palavras uma dicção e uma accentuação de tanta eloquencia que fez estremecer todo o auditorio.
Ronquerolle, porém, nem via a Assembleia, esquecêra os seus collegas, os seus inimigos da direita da Camara e os seus amigos da esquerda; não via mais ninguem pelo espirito, senão a sua bella Carlota, a{119} sua conquista, a sua felicidade, o seu thesouro, a sua vida.
Queria conquistar a inteligencia d'aquella mulher que adorava, como já havia conquistado o seu coração e os seus beijos.
Queria unir-se a ella pelos laços indestrutiveis da estima, e do respeito pela sua coragem e pelo poder do seu cerebro.
A bella Carlota toda estremecia de prazer no seu logar.
Respondia ligeiramente á sua amiga, que lhe dava conta das suas impressões:
—Que pena, dizia ella á marqueza, que este homem não seja dos nossos! Desejaria vêr a causa dynastica, defendida assim com esta energia e com este vigor.
A marqueza fechou os olhos por um momento, n'uma grande commoção de felicidade.
Ella, positivamente, bebia soffregamente as palavras do amante.
Gozava assim deliciosamente do mysterio da sua ligação com Ronquerolle.