O ministro da guerra acabava de dar á camara explicações sobre as despezas não previstas pelo orçamento, e das bancadas do Centro ouviam-se ainda appoiados, quando o prezidente da Assembleia pronunciou gravemente estas palavras:

—Na ordem do dia figura uma interpellação do sr. Ronquerolle sobre a politica geral do governo.

—Tem a palavra o sr. deputado Ronquerolle.

Estabeleceu-se silencio. Das bancadas mais distantes da extrema esquerda, ergueu-se um homem novo, de excellente figura, que depois se dirigiu lentamente até á tribuna dos oradores.{118}

Subiu os degraus com passo cadenciado e pousou sobre o marmore alguns papeis.

Depois lançou um rapido olhar sobre o auditorio e começou a falar n'um tom muito baixo.

Tinha deante de si os ministros aos quaes não perdia de vista. Pouco a pouco, a sua voz foi-se avolumando, tornando-se mais forte, e resoou em todo o ambito do Parlamento.

Ronquerolle passava á fieira os actos do ministerio, e fazia resaltar a hypocrisia d'alguns dos membros do governo.

Fustigava todos os homens que ambicionavam o poder só para adquirirem fortuna, não considerando o povo senão como uma machina util ás suas ambições.

Erguendo os olhos para o lado das tribunas reservadas, Ronquerolle viu a sua amante.