—Uma nova existencia vae começar para nós, disse Maupertuis, uma vida de discordias, de combates, de lucta. Podemos dizer adeus á bella tranquilidade dos nossos vinte annos!

—E o que faremos das nossas amantes? acrescentou subitamente Didier.

—Daremos a liberdade a essas gentis avesitas, disse Branche, e não as lamentemos que ellas saberão orientar-se no paiz do amôr. Voces bem comprehendem, que não podemos preocupar-nos com saias durante o periodo eleitoral.

—Poderiamos talvez, interrompeu Maupertuis, envial-as para casa de seus paes!

—Tu falas bem! tornou Branche; infelizmente ignoramos a sua morada.

—Porém, Ronquerolle, accrescentou Maupertuis, não poderá, tão facilmente como nós, desfazer-se da sua amante. Trata-se d'uma ligação séria. O que será de Emilia sem elle?

—Meus filhos, disse Branche com ares paternaes, guardemos para amanhã a continuação da palestra, e vamos deitar-nos. A discussão fica suspensa.

E os trez amigos separaram-se.

Entretanto Ronquerolle, após a sahida dos seus amigos, encontrando-se no seu modesto gabinete de trabalho apressou-se{14} a tomar algumas notas, sobre o que se passava, e entrou no seu quarto.

Julgando encontrar a amante adormecida, avançou com precaução para não a despertar. Qual não foi porém o seu espanto, quando a encontrou embrulhada n'um «robe de chambre», sentada n'uma cadeira e chorando copiosamente.