—Que tens tu? disse Ronquerolle, aproximando-se e tomando-a nos braços.
A pobre rapariga soluçava perdidamente, e não podia articular palavra.
Comtudo, como o amante a enchia de perguntas e a envolvia em caricias, acabou por dizer-lhe que tinha ouvido toda a conversação que elle tivera com os seus amigos, e que bem reconhecia que a legitima ambição de Ronquerolle, era uma ameaça á sua felicidade, que seria a separação de ambos, para sempre talvez.
E essa incerteza, era terrivel para ella, que apenas podia receiar e chorar.
—Creança, disse ternamente Ronquerolle, porque duvidas de meu carinho? Não sou o teu amante, o teu melhor amigo? Por ventura, depois de trez annos, que vivemos juntos, alguma vez te menti, te enganei, te abandonei um dia, uma hora?...
Tentava animal-a, mas a duvida e o receio haviam ferido a alma sensivel da pobre Emilia, e tornar-se-hiam mais vivos á medida que se fossem desenrolando os acontecimentos, que tão fortemente interessavam a Ronquerolle.
A amante do novo candidato a deputado, era uma rapariga de vinte e trez annos, de cabellos louros, olhos azues, d'um azul encantador,{15} figura insinuante, bem talhada, seio proeminente mas sem exageração.
Adorava a Ronquerolle a encantadora Emilinha.
Tinham-se conhecido por forma um tanto ou quanto original.
Haviam frequentado ambos o curso d'um professor celebre da Sorbonne.