O marquez de la Tournelle não tinha a menor suspeita sobre a virtude e a fidelidade de sua esposa. Era-lhe submisso como um cão ao dono e nem sequer discutia os seus menores caprichos.{135}

Sentia e sabia que ella lhe era superior, e amava-a com uma especie de devoção, como se ama e se venera uma divindade.

Depois do chéque eleitoral soffrido, elle considerava-se perdido aos olhos da marqueza, porque não seguira os seus conselhos.

Tremia deante d'ella e nem tentava explicar a si proprio as causas da frieza que sua mulher lhe testemunhava.

Por caricia unica, depois que Ronquerolle triumphára, M.me de Tournelle apenas permittia ao marido que a beijasse na testa.

Uma noite, pelas 11 horas, o infortunado marquez veiu bater á porta do quarto de sua mulher.

—Sois vós, Sergio? perguntou ella com voz irritada.

E como elle lhe respondesse affirmativamente:

—Tende paciencia, mas não vos posso attender. Voltae para os vossos aposentos. Estou fazendo a minha toilette para ir ao baile a Saint-Germain.

Effectivamente estava vestindo uma elegantissima «toilette» depois de se ter perfumado dos pés á cabeça.