Em quanto isto se passava nos arredores de Tanger, sem que os portuguezes o advinhassem, esforçava-se D. João em Arzilla por achar um meio de communicação com aquella praça. Tal era o amor com que queria salvar seus irmãos d'armas.
Saudosos tempos de gloria nacional foram estes, em que o povo portuguez era admirado no mundo civilisado pela audacia e grandeza de commettimentos! Mas esse povo era de si mesmo grande porque tinha fé em Deus, fé em si, e fé no futuro!
Hoje porém, chorâmos esses tempos.... nada mais............
E como não estremecer de mágoa e de orgulho a um tempo ao recordar essas paginas d'ouro em que a nossa historia se espelha, reproduzindo-nos a toda a hora, a todo o momento os feitos maravilhosos dos conquistadores de Ceuta, Tanger, Anafa, Mazagão, Azamor, Alcacer-Seguer, Tetuão e Azafa?
Como não pasmar á vista deslumbrante d'este panorama de nobres recordações e eterna saudade, que nos mostra as acções façanhosas de um punhado de homens, que levados do amor da patria e do brio nacional penetravam as lapas mais escuras,{28} subiam os pincaros mais elevados, rompiam bosques, desciam fragas e alcantís medonhos, e atravessavam os sertões mais intransitaveis, e perigosos, sem recuarem diante da natureza, dos homens ou das feras.
E será raro hoje encontrar homens como D. Fernando, D. João de Menezes, D. Vasco Coutinho, Nuno Fernandes de Athayde, Lopo Barriga, D. Duarte, denominado o Achilles africano, e o Conde D. Pedro?
Não o sabemos.
O que é certo é que todos estes combatiam sem descanço, e nunca as terras da Africa os viram voltar ao costas, a não ser já sem vida.